
Esse é o Miguel (nome fictício). Ele tem 19 anos, deixou a escola aos 13 anos, depois da terceira reprovação, nunca conheceu o pai, e sua mãe é vendedora de cosméticos, batalhadora, fica fora o dia todo, e a noite se entrega ao alcoolismo.
Moram numa comunidade de Belo Horizonte-MG. Experimentou o primeiro baseado de maconha aos 11 anos, cocaína aos 14, e crack aos 17. Ele adora circo, e tem o sonho de ser jogador de futebol, mesmo com suas canelinhas finas. Seu ídolo é o Neymar.
A vida do Miguel é uma verdadeira colisão de frente na BR-381, sem chance alguma de haver sobreviventes.
Recentemente, como em um golpe de sorte, foi jogado pra fora do carro, rolou muitas vezes, e acordou frente a um juiz, em seu 4º processo, Miguel já respondia por roubo, furto e tráfico de drogas, crimes responsáveis por mais da metade de toda a população carcerária do Brasil.
Como numa reabilitação para a lesão na sua alma, aceitei sua causa, sem cobrar nada, pro bono, pois a situação me incomodou muito. Eu que passei por tantas dificuldades, mas tive anjos no caminho, senti que era a hora de devolver todo o bem recebido.
O Miguel não foi absolvido, o processo ainda corre, mas voltou pra sua casa (foram necessários 7 Habeas Corpus), arrumou um emprego, de entregador, com salário fixo e carteira assinada, motivo de orgulho, e sua mãe está se tratando, e vai vencer mais essa batalha. O menino agora sonha apenas em ter um lar, e achava que não havia mais esperança. Hoje, Miguel tem outro pensamento, e muita vontade. Quer voltar a estudar e a sonhar. O menino agora sonha apenas em ter um lar, e achava que não havia mais esperança. Hoje, Miguel tem outro pensamento, e muita vontade. Quer voltar a estudar e a sonhar.
O menino agora sonha apenas em ter um lar, e achava que não havia mais esperança. Hoje, Miguel tem outro pensamento, e muita vontade. Quer voltar a estudar e a sonhar.
Espero que siga fora do crime, e enfrente de cabeça erguida as consequências que possam vir do passado, mas agora sabendo que nem tudo está totalmente perdido.
Eu sabia que poderia fazer a diferença, sem garantia de certeza, é claro, mas com a dedicação e empenho, de que a vida vale a pena ser vivida se for para o bem. A advocacia pode transformar vidas. É nisso que acredito.